quarta-feira, 9 de outubro de 2024

UM DIA NAS ELEIÇÕES

Dormi tarde ontem, já era hoje. Acordei cedo hoje, muita coisa por fazer. 
O sol reapareceu mais animado que eu, e nos animou a andar um pouco. Antes fui levar o jardineiro até a Casa Verde, a grama, com chuva e calor, cresce a olhos vistos. Retornando, um cafezinho frugal, não tenho fome pela manhã se comi muito ou tarde na noite anterior. Foi o caso.
Nove horas da manhã, vamos andar. Descemos com o carro até Debossan, estacionamos num larguinho. 
Num passo acelerado, talvez uns cinco quilômetros por hora, fomos até Mury, pela "linha", como é conhecido o caminho interno, paralelo à rodovia, por onde passava o trem, a linha férrea.
Trata-se de uma estrada de chão batido, irregular, cercada pela vegetação da mata atlântica, por casinhas lindas, casas grandes nem tão lindas, jardins exuberantes, quintais com hortaliças e galinhas, certamente essas separadas daquelas, muita gente praticando caminhadas, corridas, ciclismo, ou mesmo passeando, curtindo a paisagem tranquila e o canto dos pássaros. Hoje não encontramos muita gente, talvez por ser dia de eleição. 
Já em Mury, passamos para a rodovia asfaltada. Menos de dez horas e conhecidos já faziam "levantamento de copos" no botequim! Gente jovem, que não tinha a menor intenção de votar. Talvez não acreditem em Pátria, ou não vejam sentido na nossa Pátria. 
A essa altura, uns cinco quilômetros, os quadris já incomodavam, mas seguimos até a Escola onde fica a nossa seção eleitoral. Muitos idosos, bem mais que eu, indo votar, para eles um compromisso moral, já que isentos da obrigação legal. Valorizam o direito do voto, talvez acreditem em Pátria, talvez acreditem que alguém tem que acreditar. 
Votamos. Rapidinho. Segura ou não, a urna eletrônica é um sucesso. Já fiquei dias e noites, com dezenas de outras pessoas, só para apurar os votos no pequeno Municipio de Bom Jesus, imagina como era em municípios muitas vezes maiores! Hoje, qualquer que seja a quantidade de votos, o resultado é apurado pouco depois do fim da votação.
Não tinha água no Colégio. Fomos a um bar. O atendente reclama dos políticos, dos gestores, dos eleitores que estacionam na entrada da loja, da mão de obra, que não se encontra porque não querem trabalho, preferem o bolsa-família e apostar nas BET, que dá muito mais resultado. Políticos não têm preparo para legislar, fiscalizar, pensar a cidade; não fazem nada no mandato, concorrem novamente e são reeleitos. Como querer que a coisa mude, se mantemos os mesmos a administrarem a coisa pública?!! Quem tem um mínimo de capacidade não se candidata, e fica reclamando. Quem não tem, se candidata, se elege e reelege. E nesse círculo vicioso, só resta reclamar com o mal educado que estacionou errado! Chora não, bebê! como fala o Bryan, não adianta nada. 
E como não adianta, vamos caminhando e cantando, ou trabalhando, "esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer", já cantou Geraldo Vandré. Retornamos à "linha", demos uma corridinha, fomos até o carro. Em frente, numa quitanda, o proprietário muitíssimo simpático nos conta que ele mesmo planta o que vende: batatas, verduras, bananas etc. O filho, que o ajuda, é mesário, não fosse isso ele hoje estaria no sitio. Esse nunca vota. Reclama dos preços que compra, reclama dos preços que vende, vende por centavos a sua produção para os mercados, ou tem que andar de bairro em bairro, e porta em porta, com perda de tempo, e custo com manutenção do velho veículo. Nem sabe o que é pior ou menos pior, só sabe que trabalha todos os dias. 
O jardineiro também trabalha no domingo das eleições, não vota, como os jovens que bebem, e os que caminham na linha; os idosos claudicantes votam; os comerciantes reclamam e trabalham, alguns votam; também o agricultor trabalha, mas não vota; e nós, andamos, trabalhamos, reclamamos, votamos, e compramos flores. No fim, "somos todos iguais, braços dados ou não, nas escolas, nas ruas, campos, construções."

3 comentários:

  1. Verdade difícil de aceitar. E o que nos move a não mudar? O que poderia nos mover? Provocando seu pensar.

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  2. Vou pensar. Promessa. Obrigado pelo provocar. E por passar por aqui.

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  3. Pois é. Julgamos tanto, apesar de sermos, sim, no fim das contas, todos iguais.

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