Quase todo mês vamos a São Paulo, e algumas vezes viajamos pelo Brasil, participando de Congressos de Odontologia. Essas viagens, embora a trabalho, funcionam como válvula de escape para o estresse do dia a dia, porque mudam a paisagem e o ambiente, as pessoas com as quais nos relacionamos, os assuntos dos quais nos ocupamos. As questões muitas vezes são resolvidas mais facilmente quando vistas por outro ângulo, isso quando não se resolvem por si mesmas, o que não raro acontece.
Neste agosto nos entregamos a um desafio estimulante: viemos a Gramado, a belíssima cidade do Rio Grande do Sul, onde acontece um Congresso de Endodontia. Na dúvida se o evento aconteceria, em decorrência da tragédia que se abateu sobre a região, optamos por não comprar passagens aéreas,e, confirmado o congresso, tivemos que vir de carro, mas não deixaríamos que isso fosse um problema. Foram cerca de dois mil quilômetros de rodovias, isso só numa perna!, a maior parte em estado precário de conservação e segurança. Valeria e eu, Edgar e Ricardo, o ruído do motor, e, entre umas e outras paradas, aprazíveis e produtivas reuniões de trabalho.
Nosso escritório é no carro, dizia Edgar; na verdade é no carro, no quarto ou na sala de casa, na empresa ou no avião. O trabalho nos acompanha diuturnamente, está integrado à persona desses quatro indivíduos que o veem, não com a dúvida do "trabalha pra viver ou vive pra trabalhar?", mas como vida mesmo, de moto-contínuo, de engrenagens que rodam criando sentido e dinâmica, produzindo resultados concretos, realizando sonhos, enfrentando, superando ou contornando obstáculos, transformando o futuro, e formando legados.
Ricardo, Edgar e Valeria, são profissionais como não se encontra facilmente, é gente que assume compromissos por gostar de assumi-los, e que faz o que precisa ser feito sem se perguntar se deve ou não deve fazer, se vai ou não receber por isso. Dessas pessoas que, quando se encontra, não se pode mais abrir mão e nem se imagina perder, pessoas com as quais se cria laços pra toda a vida e mais um pouco.
O problema é que não se faz uma empresa, ou pelo menos não se mantém, com meia dúzia de três ou quatro pessoas. Como formar um time de profissionais com esse comprometimento, com o nível de disposição e fidelidade desses três? Eles não tiveram nenhuma formação convencional específica, foram educados, desde o berço no seio da família, e enquanto cresciam e amadureciam, a valorizar relacionamentos, compromissos, trabalho e conquistas, a fazerem o que tivessem que fazer mesmo sem receberem ordens para fazê-lo, a serem proativos; e eles trouxeram espontaneamente esses ensinamentos para a vida empresarial. Que Escola ensina isso?!!! Uma alternativa é garimpar pessoas que tenham formação semelhante e integrá-las à equipe, e incorporar tais valores à filosofia da empresa, para aumentar no time a capacidade de trabalho, de resiliência, de respeito e admiração pelos clientes e entre os colegas, engajando todos numa mesma vibe, encantando o cliente.
Assuntos assim tratamos no escritório, onde quer que ele esteja; agora está em Gramado, em seguida BH, muitas vezes em São Paulo. Enquanto conhecemos os bons restaurantes da cidade, ou nos divertimos jogando baralho, zoamos o Edgar que trata a cútis com esfoliante, fazemos churrasco no enorme airbnb alugado pela Valéria (com aquecedor para suportar o frio de zero grau previsto), também fazemos planos para aprimorar o serviço que a Endovita entrega, organizamos o estande de vendas, atendemos os cerca de trezentos clientes, e nas noites, depois do jantar acompanhado por vinho e cerveja, trabalhamos mais. Queremos ser melhores para os nossos clientes, queremos que eles saibam disso, vamos focar nisso e vamos chegar lá, dando-lhes tanta alegria e satisfação ao comprar e receber, quanto a que sentimos ao atender bem e vender, ou quando estamos juntos e nem sabemos distinguir o que é lazer e o que é trabalho.
Como escuto muito, uma empresa não é feita de produtos ou serviços, mas sim de pessoas!
ResponderExcluirIsso!
ResponderExcluirObrigado, Pedro.
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