Férias, para pequenos empresários, é quase uma utopia. Dez ou quinze dias em off é muito difícil, trinta é utópico mesmo. Passeamos por dez, não totalmente "desligados", mas, em ambientes diferentes, o trabalho flui mais leve, a gente acaba descansando um pouco. É o que se tem.
Só dirigir por uma estrada longa, já pacifica a mente, é como transitar por um arco-íris com várias pistas, e as cores da natureza numa miríade de tons.
A primeira estação é Pedra Azul, no Espírito Santo. Clima de montanha, uma aventura para subir a Pedra do Lagarto, assim chamada por causa de uma formação rochosa caprichosamente esculpida pela natureza, um perfeito lagarto a escalar a pedra de mil e quinhentos metros de altura. Outra aventura, também nas alturas, num balão que sobrevoa os campos, os rios e rotas, os lagos, os lagos sobre as montanhas, as montanhas.
Em Vila Velha, a praia de Itaparica é um tom mais escuro em nosso arco-íris: vala negra e fétida, invasão de desocupados e pedintes, ausência de limpeza nas ruas.
Um pit-stop de uma noite na Praia D'Ulé, e o Renato que nos hospedou recomenda visitar "3 Praias". Tentamos. A melhor definição seria "uma praia cercada de Alphaviles por todos os lados", já que três ou quatro condomínios luxuosos e murados, impedem o acesso à praia ao comum dos mortais, que não seja a pé, por entre os muros, por um beco com cerca de um quilômetro de extensão. Desistimos.
Os ventos nos levaram a Iriri, uma prainha graciosa e tranquila, que os locais chamam de Caribe Capixaba. Não é para tanto, mas a água é verdinha, a comida é boa, as ruas são limpas e o povo é acolhedor. Foram dois dias prazerosos por lá. Voltamos uns quilômetros para conhecer Castelhanos. Ficaríamos um dia se aceitassem pet. De volta à estrada, então, mas tivemos que voltar a Iriri, esquecêramos um parmesão, tipo francês, que trouxemos de Venda Nova do Imigrante, não poderíamos deixá-lo.
E, de novo, a Rodovia do Sol. Ela merece um parágrafo. Ela foi minha inspiração e referência para essa viagem que não tinha destino definido, apenas estaríamos sempre às margens da rodovia 060-ES, que eu imaginava do sol e para o sol, ampla, iluminada, sinalizada, humanizada, com vista das praias e para as praias, mas, qual o quê?!, não é nada disso!
Mas a estrada nos levou a Piúma, que não foi acolhedora e que não é pet friendly. Conseguimos um hotel depois de umas dez visitas. Cansados, fizemos o check in precipitadamente, e subimos as escadas com malas e cachorro, para voltar minutos depois, arrependidos, ficaríamos deprimidos naquele lugar. Foi desgastante, e não foi gratuita, a desistência. Sacudimos a poeira dos pés e saímos da cidade, vamos para Marataízes. Só quando chegamos à entrada da cidade lembramos do nosso parmesan, mas não voltaríamos novamente, ele não fora mesmo produzido para nós.
Ainda em trânsito, Valeria alugou chalé na Hospedaria Rosa dos Ventos, instalada praticamente dentro da Praia da Boa Vista, toda decorada com motivos náuticos, com piscina, flores, gatos e cachorros, muito conforto... e o mar. Vários quilômetros de praia limpa, vazia numa quinta de baixa temporada. Gualbert, o dono, nos recebeu como se velhos conhecidos fôssemos, e nos sentimos mesmo em casa.
Três dias de vida saudável, exercícios na praia, banhos de mar, de lagoa e de piscina, comida boa, conversa idem. Numa aventura digna de filme, remamos um kayak duplo, por quatro quilômetros, ida e volta, até uma pequena ilha. Era o fim do arco-íris, no meio do mar, e o pote estava cheio do prazer da superação, da alegria pela vitória, da gratidão por merecermos tanto.
Domingo retornamos para casa, aqui também o arco-íris enche o pote de sonhos e de gratidão pela vida.
Ah, Espírito Santo! Sinto saudade de alguns desses lugares por onde passaram! Conheci-os há tempos!
ResponderExcluirQue possam vivenciar mais passeios assim tão gratificantes! Merecem!