Um filme indiano, que não está na Netflix, nem na Amazon, nem na Globo, sei lá quem são os atores e diretores. Um filme de 2007, com longuíssima duração, e no qual, anos depois de lançado, não por acaso, poucos ouviram falar. O Rui, sei lá o porquê, o assistiu no YouTube, me recomendou, e eu, reticente, muito reticente, assisti. Um filme de ação é mais rápido e atrai mais. Um filme tão longo e com tema tão árido, não atrai, como não atrai o enfrentamento dos preconceitos em geral.
Convenhamos, duas horas e meia de filme!, quem tem tanto tempo assim a perder, com o dia a dia de uma criança avoada, pais apressados, professores antiquados, e nenhuma expectativa de se chegar a um fim digno ou pelo menos diferente de outros que tentaram tratar o mesmo tema?! - Só mesmo quem se importa!
Crianças vão identificar adultos da vida real nas ações dos adultos do filme, e acharão graça nas ações e reações da criança do filme. Adultos se irritarão com a ignorância dos adultos do filme, e vão se identificar nas ações deles, e vão sentir na alma a dor da criança, e também se rirão de suas reações. Infelizmente, também vão doer os erros de gramática das legendas, as dezenas de erros. De somenos.
O filme conta a história de uma família composta por um pai trabalhador, uma mãe ocupada com o lar e os dois filhos; um no Fundamental 2, um exemplo de garoto, bem na escola, em casa e bem no tênis; e outro, no Fundamental 1, que faz tudo ao contrário, mal na escola e mal em casa com suas próprias coisas, embora amado por seu irmão, sua mãe e, do jeito dele, por seu pai. Essa criança sofre na escola, é mudada de escola, quase vai para uma escola especial para especiais, e afinal, quando a família já está por desistir, encontra esperança num professor que vê a criança, acima dos transtornos.
O filme, reflexivo, nos faz pensar em nós, em como nos relacionamos com os demais seres humanos, humanos que deveríamos ser, com nossas limitações mas também nossas qualidades; provocante, nos leva a querer agir, mas agir com um propósito claro e objetivo, agir concretamente; leve, dá leveza a um assunto seriissimo, para alcançar mais pessoas, atrair público e criar massa crítica, sim, mas sem resvalar muito para o superficial, para o comercial.
Assim que, quem vê o filme, não consegue sair da sala ou desgrudar da tela, do mesmo jeito que chegou. A gente sai internamente revolvido, a gente sai resolvido a rever os nossos conceitos e relacionamentos, a gente sai decidido a compartilhar a experiência com todo mundo, a gente sai pensando em fazer alguma coisa, e imediatamente.
Se somos professores, decidimos observar melhor os nossos alunos, até os alunos dos colegas, buscando pontos frágeis nos quais possamos trabalhar mais e melhor para evitar que esses pontos se transformem em problemas; substituimos o medo de não ter respostas pela certeza de que podemos transformar.
Se somos gestores de instituições, decidimos determinar que a diversidade deve ser respeitada, que a inclusão seja praticada, que professores sejam qualificados e capacitados, que os pais sejam conscientizados. "Inclusão é ação, e ação com intencionalidade, com vontade dentro, de transformar mesmo" ouvi de Viviane de Araújo.
Se somos pais, entendemos que uma criança especial é só isso, uma criança, que dará mais trabalho para ser educada por suas características muito pessoais, mas que nem por isso merece ser alijada do convívio social e ter cerceadas suas oportunidades de crescimento.
Se somos pais de criança especial, aprendemos a compreendê-la, ou aprendemos que sabemos pouco e que o pouco que sabemos pode estar errado, e então nos decidimos a aprender a desaprender, para reaprender em seguida, e aí podermos amar o nosso filho como ele merece, como ele precisa.
Se somos humanos, e aprendemos quando criança que o homem é um ser social, nem pensaremos em colocar o nosso filho numa escola para especiais, onde ele conviverá apenas com iguais, nem tampouco exigiremos que os filhos dos outros sejam segregados as essas escolas. Se fizermos isso, nosso filho jamais conhecerá o diverso, jamais aprenderá a conviver com as diferenças, jamais terá uma humanidade completa. Conviver transforma, e se a gente se transforma, o mundo se transforma.
Todos os nossos filhos, os filhos de todos nós, devem ser tratados, reconhecidos e se reconhecerem como, na mais abrangente acepção da palavra, especiais.
Sempre somos referência na vida de alguém, precisamos cuidar para que nossos filhos tenham, de nós, somente boas referências, e o nosso comportamento definirá isso, nossos netos irão julgar mais tarde, e nós estaremos no banco.
Esse é um filme imprescindível para educadores! Assisti já há um tempo e revi esses dias porque Rui comentou sobre ele. É uma lição de vida.
ResponderExcluirAdoro filmes inspiradores. Eles sempre tem algo a nos ensinar e nos fazem refletir e olhar pessoas, situações e o mundo ao nosso redor com nova perspectiva. Quero o nome desse filme... Abraços Fernando
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