sábado, 1 de junho de 2024

TIO PATINHAS & CIA


 Meu pai, analfabeto, não queria ver sua história difícil repetida nos filhos, e traçava seus planos sempre nesse sentido, daí, quando não estávamos morando perto de Colégio, ele sempre estava planejando voltar para perto de um.Assim, que, no Sítio da Arataca, ele mesmo me ensinava. Na cidade, fomos para pertinho do Colégio, e depois, para um pouco mais  longe, o Sítio das Jaqueiras. Foi lá, que numa de suas viagens mensais à capital fluminense para receber o benefício de aposentado, meu pai me perguntou o que eu queria que ele me trouxesse de presente, algo que nunca acontecera. Lembro como se há 60 dias e não 60 anos! O livro que ele me trouxe foi uma revistinha do Tio Patinhas, que li e reli por uns dois anos, para ele, para minha mãe, meus irmãos e para as visitas. Quando voltamos à cidade, eu tive a oportunidade de barganhar o exemplar por outros, iniciando uma coleção de gibis, revistas e bolsilivros, que enriqueceram meu vocabulário e me acompanharam por toda a adolescência, até conhecer Monteiro Lobato, Castro Alves, e cia.Nessa época fomos morar em frente ao colégio, e depois, ciganos, sempre estivemos por perto de um, e, não por acaso, quando nos mudamos para Bom Jesus do Itabapoana também fomos morar ao lado de colégio.Meu pai me queria advogado, eu, médico, mas medicina não era para pobre, e quando um amigo me pediu para levá-lo ao vestibular da Faculdade de Direito de Cachoeiro Itapemirim, eu fiz junto com ele as provas, ele não se deu bem, meu pai é que se deu, realizou o seu sonho. Quase. Eu só advoguei profissionalmente uma vez, mas o suficiente pra ele. Para mim também foi, mas o conhecimento das leis, a habilidade em interpretá-las ou em buscá-las, foram e continuam sendo vitais, servindo-me em inúmeras situações práticas e também a muitos de meus amigos e familiares que me pedem ajuda. Já de há muito aconselho a quem me pede sugestões sobre qual faculdade cursar, que faça Direito, sempre que não tenha uma tendência a outra carreira. Na dúvida, faça Direito, talvez nenhuma outra prepare tanto para a vida prática, seus conflitos e obstáculos, qualquer que seja a função que se vá abraçar. Meu pai me queria advogado, me ensinou que educação era prioridade, me fez morar perto dos colégios. Hoje, sou advogado, faço negócios como ele fez, e ajudo a administrar uma Escola. Meu pai sempre esteve certo! 

Um comentário:

  1. Faça direito, isso, sim. Qualquer que seja a escolha! Era isso , acho eu, que meu pai quis sempre! E você fez! Parabéns! De gibis a Castro Alves, nossa! Fez direito mesmo!

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