Meu pai sempre foi o homem da casa, mesmo quando eu me tornei adulto; houve um tempo em que ele, consciente e quase que formalmente, me cedeu espaço, mas não muito; minha mãe, porém, não era fraca não, hein!
Eu era uma criança tímida, muito tímida, e morava na roça. Embora fosse a roça da roça, entre os jovens da roça que era a cidade, e os da roça que eram os arredores, havia um abismo. E eu ainda era um dos melhores, senão o melhor aluno da classe. Pronto: confusão armada! Presentes todos os ingredientes para que eu fosse o alvo preferido de todos.
Era o meu lápis que era roubado, o meu livro que era escondido, eu era o escolhido para ser o bobo da roda.
Certa vez, roubaram meu lápis, meu pai comprou um novo; dia seguinte roubaram a borracha, meu pai comprou uma nova e a amarrou ao lápis. Roubaram o lápis e a borracha, e eu apanhei. Uma surra para não deixar que me roubassem, meu pai disse.
Na saída da escola, sempre um "garoto problema", forte como um touro (eu achava), queria me bater, sob os aplausos e estímulos dos outros garotos, felizes por ter sido eu o escolhido, e não eles. Achava ser ele que roubava meus materiais, e falei para minha mãe. No dia seguinte, na janela da minha casa, que dava pra rua pela qual todos passávamos, tinha um bambu de uns 3 metros encostado, aguardando o garoto, que sentiu bem forte o peso dele manejado pelas mãos da minha mãe. Minhas coisas e eu fomos deixados em paz.
Muitos anos depois, eles morando em Friburgo, meu pai viajando, eu morando no Rio e minha mãe sozinha com meus irmãos menores, o alarme da minha casa dispara. Ela não se intimidou: pegou meu '38, saiu na madrugada e mandou bala para o alto. Quando meu pai voltou da viagem, os amigos do bairro lhe contaram a proeza, admirados da bravura da minha mãe. Meu pai se orgulhou, o rato que disparou o alarme não deu a mínima, e o bairro dormiu mais tranquilo, minha mãe estava vigilante!
Nossa família sempre teve um homem da casa, mesmo quando meu pai esteve ausente.
%2008.41.20_d19f1456.jpg)
Eita! Essa passagem de bater no garoto, não sabia! As outras, sim. Mãezinha: fortaleza! Linda de morrer! Saudades eternas dela!
ResponderExcluirEssa é a melhor!!, apesar de também não me lembrar da primeira parte.
ResponderExcluirEstava sentindo falta de sua influência feminina rsrsrsrrs
ResponderExcluir