segunda-feira, 4 de agosto de 2025

DAVID E GOLIAS

Olha eu aqui de novo! Hoje vou falar dos meus amigos da escola. O Bento que é o mandão, tudo tem que ser do jeito dele, a gente o chama de presidente, e é o meu melhor amigo. A Larissa é a juíza, ela corrige todo mundo, é a dona da verdade. O Márcio que tá sempre tentando ajudar a todos, não quer ficar mal com ninguém, não é de falar muito, fica sempre no canto dele. E o Deco, que domina a cena, grita, briga, pula, reclama, não fica satisfeito nunca, ele anima o grupo. A professora sofre para dar aula, mas ela é bárbara, tem paciência e jeitinho, e têm dias que nem vemos a aula passar...  tem dia, né? Dia desses aconteceu uma coisa inédita, vocês sabem o que é inédito, né? A professora ensinou, é uma coisa nova, uma novidade. Mas o que aconteceu? Então, na nossa sala, eu pensava que em todas era assim, cada um senta na mesma cadeira,  desde o início do ano, tem até o nosso nome nelas. Então, durante o recreio, um aluno de outra turma, bem maior do que a nossa, inclusive, ele também é grandão, cismou de que isso é coisa de criança, de escola pequena, e resolveu mandar a gente mudar de posição. Mas o que você tem com isso, Maycon ? E quem falou que você pode mandar na gente? - perguntou o presidente, irritado com ele. 
Eu estava só curiosa. "Por que ele estava se metendo na nossa turma, se ele era até de outro horário?" 
O Maycon se saiu com a seguinte conversa: - Olha aqui, seu pirralho, acontece que eu também uso a mesma sala, e não gosto de ver as carteiras com nomes. Então, eu e meus colegas da turma, decidimos falar com vocês e, lá, eu sou o presidente.
" Ah! Agora entendemos tudo" - eu pensei. Um presidente grande querendo mandar num presidente menor, achando que só porque é grande, ele pode! Até achei graça, mas a Lalá não achou graça nenhuma. Ela falou cheia de razão: - Olha aqui, ô presidente de outra turma!, na nossa turma vale o que foi decidido pela nossa professora e pelo nosso grupo, e ninguém de fora pode mudar nada só porque quer. 
O Márcio ouvia e sorria. O Deco estava vermelho de raiva. E eu... bem, eu observava a cena e pensava:  "Quem será que foi buzinar no ouvido do Maycon, lá no outro horário?! Alguém da nossa turma, ou de outra turma do mesmo horário que quer trair a gente? Mas vou deixar isso pra depois, agora vou acompanhar a treta. " 
O Maycon estava tentando se explicar com a juíza: - Olha aqui “meretríssima", se nós também usamos a mesma sala, e se nós estamos mais adiantados e somos mais velhos, nós decidimos e vocês obedecem. É assim que funciona o mundo, ou vocês ainda não aprenderam isso? 
O Bento estava estranhamente quieto, não sei se surpreso com a situação ou com medo de reagir. Mas a Larissa gritou: "Nem mais velho, nem maior vai mandar em nós! Vamos apelar para a administração, e a diretora vai decidir isso!" 
Agora, todos nós estávamos quase que abraçados, formando uma barreira de defesa. 
Mas o Maycon não ficou com medo, ao contrário, ele reagiu com mais força: " - Então, vamos ser obrigados a agir contra vocês e quem apoiar vocês. Vamos fechar a porta quando sairmos da sala, levar a chave, e vocês não poderão entrar." 
"-E você acha que a Diretora vai permitir isso? - perguntou o presidente Bento, ao outro presidente.
 "-I don't know, - respondeu o Maycon quase cuspindo -, mas sei que vocês não vão entrar, e no dia seguinte, vamos levar o assunto para a Secretaria de Educação, e, enquanto isso, mudamos as carteiras e os nominhos de vocês todos, pirralhos!" 
O Deco quase o atacou, furioso, mas o Maycon avisou: - Melhor vocês fazerem o que mandamos, ou vamos avisar nas outras escolas e vocês não serão aceitos em nenhuma delas quando saírem daqui. Vocês vão ficar sozinhos.
O Márcio tentou acalmar o Deco.  -Esse cara é doido! - ele disse - melhor não provocar pra não ficar pior.
A Lalá olhou para o Bento, e pra mim e Deco: - Ah, é? E não vamos fazer nada? Vamos deixar esse gigante bobo fazer o que quiser?!
-Lalá - eu falei - ele não é bobo, e é grande, por isso o Márcio pede pra gente pensar, não bater de frente, né, Bento? 
O nosso presidente estava confuso, mas respondeu:, - Sim, vamos esperar até amanhã, se ele fechar mesmo a porta, a gente reage. Vamos fazer uma corrente humana na frente da porta no horário deles, aí também eles não poderão entrar.
De novo, a Lalá falou: - Ué, e perdemos todos? Ficamos todos sem aula? Não tem ninguém que pode botar juízo na cabeça desses moleques? 
Tia Mirian tocou a sineta, voltamos para a aula. 
Não sei o que vai acontecer amanhã, nem conosco, nem com os moleques. Depois eu conto. 
Como será que acontece no mundo dos adultos? Será que eles sabem resolver essas tretas sem brigas?

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