domingo, 31 de agosto de 2025

CAPÍTULO FINAL

Olá pessoal, vamos encerrar essa novela? Então, a Diretora e a Coordenadora enquadraram o Maycon, mas também cederam um pouco. Ele não vai mais se meter a autoridade na nossa turma e nem mesmo no nosso turno, e nós não vamos mais adesivar os nossos nomes nas carteiras, eles ficarão em cartões que serão guardados todos os dias. E também nos comprometemos a acabar com os memes e fake news no Insta. Acho que voltaremos aos tempos de paz, um novo rumo.
Ansiosa por contar a novidade aos meus pais, fui correndo pra casa. Vocês se lembram que eu estranhei a reação deles quando lhes falei da treta toda, né? Contei aqui, semana passada. Fiquei curiosa, pareciam conhecer a história, mas, como, se já saíram da escola há tanto tempo?
Mal consegui esperar o jantar, e, feliz, falei que não queria mais sair da Escola, ela era de novo o meu porto seguro, o lugar que eu mais gostava, depois da minha casa. Ganhei a atenção deles, e contei o motivo da minha mudança de decisão. Falei assim mesmo, decisão. Meu pai riu, acho que ele gostou, ou, sei lá, talvez tenha rido de eu pensar que podia mesmo decidir uma coisa tão importante. Bom, decisão comunicada e explicada, agora era a vez de cobrar deles uma explicação para aqueles risinhos do outro dia, quando, triste e nervosa, eu lhes contei da encrenca no colégio. Afinal, eles tiveram uma história parecida na escola deles? 
Meu pai ficou então um pouco mais sério, e falou que, mais do que isso, eles estavam vivendo uma história muito parecida no Brasil, não na escola,  mas no nosso próprio país e no nosso próprio mundo. Ele falou que, se eu podia escrever sobre problemas da escola, dar opinião sobre os conflitos, e até decidir sobre deixar a escola, então estava na hora de aprender um pouquinho da vida dos adultos, da vida real. Vejam, tô tentando repetir as coisas como ele me falou, às vezes minha mãe também. 
Eles disseram que, assim como eu tive vontade de mudar de escola, eles de vez em quando tinham vontade de mudar de país. E que este é um desses momentos, justamente por uma história muito parecida com a minha: os Estados Unidos, um país grande e poderoso, discorda do Brasil, que também é grande mas não tão poderoso, e os dois presidentes nem se falam, então nunca vão chegar a um acordo. Meu pai disse que os americanos têm razão, mas não toda a razão; minha mãe pensa diferente, ela acha que eles estão certos mesmo. Meu pai não aceita que outro país se meta em coisas que só o Brasil pode decidir, já minha mãe entende que, mesmo que meu pai esteja certo, às vezes os fins justificam os meios, foi assim que ela falou, e, claro, eu não entendi, e pedi pra ela explicar melhor, desenvolver, como diz a minha professora. Ela explicou que, se temos uns juízes que fazem o que querem e decidem, sozinhos, sobre assuntos que atingem todo o povo, outras autoridades daqui teriam que impedir isso, mas, se ninguém consegue, melhor que outro país faça, do que ninguém fazer e o povo ficar sofrendo. Vou deixar essa passar e noutro dia vou perguntar de novo a ela, pra ver se entendo. Meu pai pareceu concordar, mas disse que, de qualquer jeito, é ilegal essa atitude dos Estados Unidos, que o problema é nosso e nós é que temos que resolver. 
Ele disse que o Brasil e os Estados Unidos deveriam conversar entre eles mesmos e chegar a um acordo, ou então, ouvir os juízes que cuidam das tretas entre os países, porque, do contrário, ninguém vai ganhar, os brasileiros e os americanos vão sofrer muito, e eles, os dois presidentes, vão ser conhecidos como dois idiotas fracassados. 
Meu pai pegou pesado! 
Pensei no Bento e no Maycon, os dois presidentinhos da minha escola, parece mesmo a história que aconteceu aqui, ainda bem que terminou em paz e não demorou tanto. Meu pai diz que, no mundo dos adultos, essa briga já dura mais de um mês, já envolve outros países, e não terminará em paz, pelo menos não terminará sem muito prejuízo. Ele disse que no dia que eu contei a minha história, ele "riu de nervoso", e não pensou, na hora, que eu tivesse notado; ora, eu já tenho dez anos!
Bem, amiguinhos, só vou voltar aqui se pintar alguma novidade no Novo Rumo. Não quero ficar falando sobre essa história dos adultos, é muito difícil de entender, acho que é porque eles nunca vão pelo caminho mais fácil. Tchau. 

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