— Boa tarde, querido. Desculpe-me o sumiço e a falta de contato. Desde dezembro de 2024, quando aconteceu a interdição do pai dos meus filhos, minha vida virou de pernas para o ar — literalmente.
Nesse período, foram quatro internações, cinco liminares, uma cirurgia, dois falecimentos e um funeral. Parece até nome de filme.
Filhos estressados, surtando e se virando para dar o melhor conforto ao pai, que ao contrário, nunca esteve presente ou quis saber como estavam. Eu, no meio de tudo isso, achando um absurdo ter que me envolver — mas sem ter como não fazer isso, a não ser que insensível à dor que tudo isso causou a eles e, consequentemente, a mim também.
Não foi fácil. E nem está sendo agora, vivendo o luto de tudo isso.
Como eles, também fechei um ciclo que me levou a revisitar escolhas e a reavaliá-las a partir das consequências que só agora consigo ver e refletir profundamente, dentro de todo o contexto que essas situações me trouxeram.
O estranho é que, mesmo tendo acabado, parece que não. A sensação é de que tudo o que aconteceu — e todo o passado que virou presente — nunca mais vai nos deixar no ponto em que estávamos antes, sabe? Não sei explicar, mas todos tivemos que olhar para o passado, para o que aconteceu e como nos comportamos, na medida em que, neste presente, tivemos que agir como se o passado não tivesse existido.
Mas a dor deste presente me fez ver que, não importa o que aconteceu no passado, neste momento ele precisava de todos — até de mim.
Toda a dificuldade nos uniu de uma forma que eu nunca imaginei que um dia aconteceria. E, mesmo tendo acabado, gerou um outro nível de consciência para todos, de tal modo que nunca mais seremos os mesmos.
Estar com eles e vê-los vivenciando um luto que eu já passei foi intenso e também doído. Cada um agora está no seu canto, com a dor do seu jeito, acomodando o que resta quando perdemos uma de nossas raízes.
Desculpe o texto-desabafo, mas eu já vinha incomodada por ficar tanto tempo sem dar notícias. Espero que entenda e me perdoe por isso.
Ainda viajo este mês para o aniversário dos gêmeos, outra data difícil. Neste ano — até pela proximidade da partida — a alegria não será a mesma.
Julho estarei de volta, e me coloco à disposição para conversarmos sobre como estão as coisas e de que maneira posso ser útil, ok? Gratidão por tudo. Saudade d’ocê! Beijo.
— Olá, amiga, bom dia. Recebi sua msg. Pedi auxilio ao Gonzaguinha para conversar contigo hoje. Diz o poeta que a vida é isso: a beleza de ser um eterno aprendiz. Enquanto uns acham que a gente é um nada no mundo, outros, como você (e eu), acham o contrário, que vale sempre rever, revisitar, e reagir, e assim, mudar o mundo.
É, sim, a vida, uma gota, um tempo que nem dá um segundo, então, temos que agir, ou reagir, rapidamente, antes que a areia se escoe.
O sopro do criador, repleto de amor, nos deu ferramentas pra fazer a vida como pudermos ou quisermos, mas sempre desejada ainda que a façamos errada, porque sempre poderemos rever, revisitar e corrigir.
A vida é isso, luta e prazer, às vezes é viver, noutras sofrer e até morrer, vez em quando, morrer de prazer. Mas ela é bonita como a sua, e a sua história, e a sua família. Bjo. Continuamos por aí e por aqui, juntos.
— Bom dia meu amigo! Que presente sua mensagem-poesia nesta manhã de domingo cinzento com sol sem graça. Gratidão por me lembrar de tudo isso. Como cantou um dia Chico Buarque, outro poeta musical, vai passar... Abençoados sejam os amigos como vc que "poetizam" a dor e nos trazem um suspiro de alegria. Estes quero sempre por perto, aliás, são para se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração. Um domingo de harmonia e paz em família!
E assim segue a vida. Problemas aqui e ali, doenças, desencontros, chegadas e partidas, mas também, resiliência, força, fé, recomeço e alegria. Minha amiga, na mesma mensagem em que fala dos momentos difíceis e tristes que viveu e que ainda vive, já faz planos e se compromete para o futuro.
É só mais um domingo frio, não tão frio como o que passou é verdade, mas o coração está aquecido pela existência dos amigos, pelo carinho da mulher amada, pela natureza exuberante que nos cerca, mimos divinos que nos levam até a, por um tempo, esquecer as guerras provocadas pela estupidez de uma meia dúzia, elas, e eles, que vão passar, perdurando o sentimento de amizade e amor que cercam os bem-aventurados que sabem que a vida é bonita e deve ser valorizada exatamente como ela é.
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