Críticos ácidos dos rumos a que o nosso país é levado, e embora muitas vezes demonstrando total descrença com o nosso futuro, insistimos em lutar e tentar fazer diferente. Resistir é preciso, a omissão não nos redime e as gerações futuras não nos perdoarão. Fazemos a nossa parte, objetivamente, construindo pontes para permitir o acesso a trabalho e educação ao maior número de pessoas que alcancemos. O Colégio que ajudamos a administrar é uma ponte para transformar crianças e jovens em adultos responsáveis e capazes de gerir o próprio futuro, mesmo quando a condição atual de algumas famílias não lhes permita sonhar. O Colégio também é, junto com a empresa que gerimos e a fazenda-escola, uma ponte de acesso a trabalho digno, e nessa dinâmica, de administrar escola, alunos, professores, empresa, clientes, vendedores e outros profissionais, construímos pontes que podem unir a realidade sofrida de um povo, a um futuro distante mas possível, se de alguma forma a sociedade descobrir o que é importante de fato, e, mais pessoas começarem a pensar nos outros, não antes de si mesmas, mas além de si mesmas, não pra tirar de si e dos seus, mas para dividir com os outros um pouquinho do que sobra, por que sempre sobra um pouco, e não há por que guardar, por que "não é seu nada do que guardar, tudo vai passar e tudo bem", diz o poeta.
Nossa sociedade sofre com governos ruins, problemas estruturais que parecem insolúveis, racismo, incompreensão, desigualdades, fome, guerras. Alguns de nós sofrem mais, com a consciência e o peso da responsabilidade de saber que a solução passa pela Família, pela Escola e pela Educação; e Família somos, Escola é o que fazemos, e Educação é o que Família e Escola devem perseguir juntas, especialmente num mundo em que o convívio pais e filhos está tão distante, prejudicado pela falta de tempo e cansaço de uns, e pelos mil apelos midiáticos a bombardear a mente de outros. Enquanto crianças e jovens, expostos a esse bombardeio de informações, a maioria inúteis, muitas maliciosas, praticamente nada aproveitável, têm suas mentes saturadas e até mesmo programadas, os pais, se não estão se debatendo na mesma teia que prende também os seus filhos, estão cansados demais da lida diária ou resolvendo conflitos pessoais, daí a atenção à educação dos filhos ser cem por cento delegada à Escola. Mais que delegada, ela é abandonada, por que não é obrigação só da Escola formar cidadãos, trata-se de uma obrigação primeira da Família.
Somente formando cidadãos conscientes, curiosos e livres, teremos alguma chance de reformar o pensamento e a sociedade. Infelizmente, sabendo ser uma meta difícil e que uma andorinha não faz verão, nos deixamos paralisar, o medo da derrota nos faz desistir, a sensação da impossibilidade nos torna impotentes, e vivemos por viver, trabalhamos por trabalhar. Sem prazer pelo que fazemos nos contentamos com o trivial, não fazemos diferente, não fazemos a diferença.
Precisamos abrir as janelas da alma, olhar para o futuro que queremos, com o qual sonhamos, e acreditar que podemos, que o impossível é o que acreditamos ser. É importante compartilhar esses sonhos, contar pra outros sem egoísmo, especialmente às famílias, para que a trilha seja mais leve quando os sonhos forem de todos. Uma trilha pressupõe obstáculos, medos, dificuldades, mas ao final, o prêmio: "a alegria te espera".
O nosso Colégio esteve em mar revolto, e o sonho de uns poucos manteve a terra no horizonte, parte da tripulação sobreviveu para testemunhar que o sol brilha se a janela estiver aberta. É preciso vencer o medo, despertar as manhãs, questionar as mentiras, abençoar as verdades, cantar uma mesma canção, refazer o passo e dançar pela vitória, e ela virá, como o sol vem.
"Toda melodia é um farol-guia em alto mar, quando uma canção consola alguém, valeu cantar". Ouçamos a canção que emana de nossas ações, temos nossa própria melodia, vamos dar nome a ela, surfar nas notas e dançar com elas, por que "vendo a gente, toda gente busca o seu par", e mais cedo ou mais tarde, poderemos ser muitos pares a corrigir rumos e mudar o futuro.
Juntos, numa melodia única, composta por todos, poderemos preparar um novo tempo, mais solidário, mais inclusivo, mais justo. Abra a sua janela. Busque outros pares pra dançar.
(As aspas são para Osvaldo Montenegro)
Um convite à esperança - uma canção que vale a pena cantar!
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