sábado, 1 de junho de 2024

ARQUIVADO NA NUVEM

No avião, vindo de São Paulo, uma ideia fixa, uma pergunta mesmo, se instalou em minha mente: Viver pra quê?
Não foi a primeira vez, só foi diferente. 
Há uns dez ou quinze anos, meu pai sofreu um AVC, nunca sofri tanto, ele ficou 15 dias na UTI, e eu na recepção, dia e noite. Há um ano meu pai se foi, e eu não sofri sequer um terço do que naquela época.
Interessante a vida, inteligente o Criador: o tempo passa, vamos vivendo, convivendo, sobrevivendo; ansiosos, ambiciosos, egoístas, altruístas, saudáveis, incansáveis, esgotados, idiotas, sábios, estúpidos ... e de repente a vida se apresenta tal como de fato é, como sempre foi, uma passagem, um túnel, com entrada e saída. 

Passar a vida acumulando ou tentando acumular bens para quê? Já pergunta, e responde, Augusto Cury: "- Para ser o mais rico do cemitério?!" Que sentido tem a vida se não for para partilhar e compartilhar? Para que acumular ódio, mágoa, rancor? Somos mesquinhos ao querer ganhar uma discussão a qualquer custo, ao manter uma posição qualquer por qualquer motivo, e às vezes sem motivo. Por quê somos tão ciosos do nosso valor, da nossa importância, dos nossos merecimentos, se não somos nada? Um cocô de pulga no universo?! 
Valorizamos, num dia, coisas que já não têm valor no outro, até as companhias. Por que colocamos em risco as amizades, os amores, os vínculos que criamos nessa caminhada, priorizando os nossos próprios interesses sobre os dos outros?
E nem a idade, a proximidade da morte, a própria morte morando ao lado, nada é capaz de nos abrir os olhos! Mesmo que não sejamos escravos do dinheiro e do poder, somos neuroticamente preocupados com o futuro, com a presunção de que temos algum controle sobre o amanhã.
Naquele avião fiquei pensando nisso, e meu pai diria que 'pensando morreu um burro", mas, somos burros! Tive o desejo de conhecer o depois, seja como ele for, escuridão ou nada, apenas uma passagem, uma saída, como a luz que brilhava à  minha frente: Saída /Exit. 
O avião deve ter sacudido a nuvem e dela caiu um arquivo confidencial que alguém lá havia arquivado. Vou elaborar melhor a ideia, e salvar por cima. Talvez não haja mais nada mesmo a fazer, só... sair. 




Um comentário:

  1. É vida! Viver é um mistério! Sigamos vivendo e construindo memórias como essas! Valeu a partilha! Fez-me refletir ...

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