Na madrugada o ventilador, sempre mansinho e preguiçoso, virou um tufão, e Sylvia acordou num susto, estaria alguém em casa?! E como entrara no quarto, com a porta trancada, como trancada também estava a porta externa? O coração soava alto, não tão alto quanto a geladeira que gritava, enquanto o micro-ondas ficava mudo, tão mudo quanto a Laika, que com seu silêncio afastava a possibilidade de invasão. Um cafezinho vai acordá-la de vez, e nunca foi tão expresso, assim mesmo, com X, tal a velocidade em que saiu. O café clareou as ideias, mais do que a luminosidade excessiva das lâmpadas, e ela começou a perceber que alguma coisa ocorrera com o sistema de energia elétrica da casa. Mais tarde soube provavelmente ser um pico de amperagem (?) que ocorrera, e à noite, um gerador na rua, em frente a sua casa, denotava ser mesmo algo assim. Pergunte aos operadores, garota! Ela não vai, prefere a dúvida a ter que conversar com alguns desconhecidos à noite, embora more nessa rua já há uns 10 anos, e tenha a segurança do Jonas e da Laika. Ela não vai exatamente por essas duas razões, a amperagem daqueles dois não dava picos, mansos demais.
Vinicius veio de Niterói ver a namorada, ver o pai, ver a casa do Cascatinha. A namorada está grávida e próxima demais, o pai está distante e preocupado demais, a casa está por receber hóspedes e mau cheirosa demais. E ele... ele está perdido demais. Enfrentar os problemas externos resolve os problemas internos, às vezes. A namorada tá bem, a menina terá uma menina; a casa está aberta, o cheiro do esgoto se dissipará pela natureza; o pai também está bem, aberto para o novo que vem todo dia. Vinícius então volta pra Niterói, amanhã é Dia das Mães, e ele tem três mães a homenagear... não está mais tão perdido; como a Sylvia, ele também tem muitos seguranças.
Renata e Rafaela estão no carro, vão fazer natação, emagrecer e ficar saudável é preciso. Um carro freia, outro também, e outro, e alguém bate atrás. O impacto vai deixar marcas em mãe e filha, poucas, como também no carro, mas o suficiente para o carro não andar. Chora a pequena, trava a mãe, chegam os pais. O garoto do hotel velho de carteira nova lembra de tudo, olhara no velocímetro antes de bater na traseira do veículo delas, que bateram no da frente, que bateu no da frente, que atingiu o da frente. Ele estava a apenas 30km/h, viu no velocímetro enquanto tentava frear. Os carros são muito leves hoje em dia, como leves são os jovens, e distraídos, e brilhantes.
A vida segue, os carros serão consertados, as casas higienizadas, ventiladores ficarão mais lentos, as criancas mais rápidas, as mentes mais agitadas, os pais mais ocupados, as mães cuidando de todos, e o tempo deslizando e testemunhando histórias.
Uau! Nem sei o que escrever! Li de arrastão! Assim como a narrativa se mostrou! Uau!
ResponderExcluirRsrs. Isso é bom?
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