Quando estou com um grande problema por resolver, tenho presente e dolorida uma sensação de angústia que não me abandona até que haja o andamento de alguma solução. De há muito percebi que quando estou com fome tenho sensação exatamente idêntica. Curioso que seja a mesma em situações à primeira vista distintas. Percebi também que, satisfeito o estômago, a mente se acalma e soluções para os problemas da vida fluem mais fácil. Quem tem fome tem pressa, diz a campanha, é a fome de alimento para o corpo agravada pela fome da alma, e a satisfação de uma pode ajudar a satisfazer a outra.
Meditar sobre isso talvez colabore para entendermos as muitas fomes que a nossa sociedade sofre, e que são agravadas, muitas vezes, pela fome mais básica. Um indivíduo faminto, sente mais fundo a insegurança, a humilhação, o preconceito, pesa mais nele a realidade das desigualdades e as angústias da vida.
Trato disso aqui agora, não por essa razão, que menciono apenas por ter me ocorrido enquanto escrevo e não perdi a oportunidade, mas por que estou sentindo essa dor nesse momento, e tenho vivido assim: com fome ou não, a maldita sensação de dor de barriga sempre presente, como se o dia e a vida estivessem cinza. Ontem não estavam. É assim, uma montanha russa, um dia ruim, outro bom, vários ruins, alguns bons, e a vida se esvaindo, as areias do tempo escoando ritmadamente, pra não mais retornarem. E até enquanto vivo um momento feliz, tenho a certeza sentida de que no momento seguinte não mais estarei feliz. Não é uma premonição, é experiência vivida por anos, nos quais as vitórias que me orgulham foram embaçadas pelas frustrações que me angustiam. A alegria não dura, e o preço que pago para alimentar-lhe a chama é muito alto, pergunto-me se não alto demais. Até quando minha mente e meu coração vão aguentar essa pressão alta, essa inquietude de alma, essa dor surda, que muito provavelmente desgastam pouco a pouco a minha máquina de vida? Vida plena, prenhe de satisfação e prazer, existe? Só em Deus, respondem os Cristãos. Eu sou Cristão, mas "homem de pouca fé!" já disse Jesus. Senhor, aumenta a minha fé, eu suplico. E nessa busca frenética por respostas e paz, o tempo continua, inexoravelmente, escoando "no devagar depressa dos tempos", como já disse Guimarães.
É, irmão! Até quem tem muita fé sente essa " dor de barriga". Talvez o como lida com ela é que seja diferente. Somos personagens num palco: o pano de fundo é a felicidade, a paz, mas os personagens que se apresentam na frente dele, esses têm mil e um revezes. Não é fácil! Deus abençoe você e sua luta!
ResponderExcluirAprendi a conviver com ela há muito tempo e me convenci de que ela não tem cura; tem apenas melhoras passageiras.
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